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Nightreign é um spinoff de Elden Ring que ninguém pediu, mas que felizmente existe

Elden Ring é um sucesso indiscutível, jogo do ano de 2022, maior sucesso comercial da From Software com mais de 30 milhões de cópias vendidas, nota 96 no Metacritic com mais de 80 avaliações e ainda deu origem a uma DLC (Shadow of The Erdtree) igualmente aclamada que, inclusive, foi a primeira da história da TGA a concorrer como jogo do ano.

De posse desses dados surge um dilema importante: deixar a franquia bilionária descansar em berço esplêndido enquanto está no auge ou continuar explorando o sucesso absoluto e criar mais conteúdo nesse universo fantástico?

A From Software optou pela segunda abordagem e assim nasceu Elden Ring: Nightreign que causou furor no seu anúncio e profunda decepção conforme detalhes eram revelados.

Uma parte considerável da comunidade desejava mais do mesmo, ou seja, mais um DLC ou quem sabe até uma sequência direta, o que, cá entre nós, seria algo absolutamente bem-vindo, mas o que receberam foi um jogo que chama Elden Ring, que parece Elden Ring, tem jeito de Elden Ring, tem corpo de Elden Ring, tem cara de Elden Ring, mas que definitivamente não é Elden Ring.

E por incrível que pareça, isso não é algo ruim.

É claro que eu gostaria de um Elden Ring 2, já que o original está no meu TOP 5 de jogos mais importantes da vida e eu comemoraria um segundo título com a alegria que poucos jogos seriam capazes de me proporcionar.

Entretanto, após mais de 200h de Nightreign, eu fico verdadeiramente satisfeito com o resultado.

Primeiro, porque a existência dele não impede a From Software de criar um novo Elden Ring como o original e não os impede (como, de fato, não impediu) de desenvolver um novo DLC ou mesmo um novo título de qualquer de suas incríveis franquias. E segundo, porque ele é um título completamente divertido e que merece, ao menos, a atenção antes de ser descartado por que a sua premissa pode não parecer interessante.

Entretanto, caso você seja um(a) desavisado(a) vale a pena explicar exatamente do que se trata esse game.

Ele é ambientado no universo de Elden Ring e suas premissas básicas de gameplay também se assemelham ao título original: o padrão de ataques das armas, a movimentação dos personagens, as magias, os poderes, as habilidades, os menus, visualmente tudo é bastante familiar a qualquer veterano da franquia, mas o que muda consideravelmente é o loop de gameplay de Nightreign.

O game é um Soulslike na essência de seu combate, com elementos de Roguelike e Battle Royale em seu conceito. Ele conta com oito personagens disponíveis para que o jogador escolha, sendo que seis estão disponíveis imediatamente e outros dois são desbloqueados gratuitamente após a conclusão de quests que narram mais sobre os acontecimentos do game. E também temos oito bosses diferentes, sendo que a princípio há apenas um disponível, ao derrotado-lo, outros seis vão ser liberados e quando ao menos quatro forem superados, a batalha final fica disponível para ser acessada. Todos esse incríveis inimigos são originais do game e alguns já figuram no panteão de melhores bosses já criados pela From Software!

Em resumo: você é solto em um enorme mapa e lá vai enfrentar inimigos e chefões da mesma forma que faria em Elden Ring, mas dessa vez você terá tempo limitado para isso, pois como em um Battle Royale, mapa vai sendo reduzido aos poucos, obrigando o jogador a permanecer nas áreas seguras que vão ficando cada vez menores e ao explorar esse mapa, o jogador vai encontrar itens diversos e acumular experiência para melhorar a performance de seu personagem visando as batalhas mais difíceis.

E aqui entra o fator “Roguelike”, pois todo esse esforço é temporário, pois cada partida é única, precisando repetir o processo a cada nova expedição, visando aperfeiçoar as runs para obter resultados cada vez melhores e assim combater os inimigos das expedições mais difíceis. Porém, as recompensas são sempre aleatórias, assim como a disposição do mapa, ou seja, mesmo que você repita os exatos mesmos passos em duas expedições distintas, é impossível reproduzir o que aconteceu em ambas já que você vai encontrar inimigos diferentes, itens diferentes e bosses diferentes ao longo da partida.

Há diversos segredos no mapa e até eventos aleatórios que podem pegar o jogador completamente desprevenido e que podem arruinar ou salvar uma expedição a depender de como o jogador lida com a situação.

Falando assim, pode parecer pouco atrativo, mas o jogo tem seu charme e seu valor e mesmo depois de derrotar todos os oito bosses principais, eu sigo retornando ao game para novas partidas que, mesmo se passando no mesmo mapa e com os mesmos inimigos para enfrentar e lugares para explorar, continuam sendo únicas entre si.

A estrutura do game é dividida em três dias, sendo que, conforme a noite se aproxima, o mapa vai diminuindo de tamanho obrigando o jogador a se locomover para a área segura. Cada dia tem, em média, 14 minutos de duração e ao final do período, o jogador enfrenta uma horda de inimigos seguidos de um Boss final (que é sempre algum inimigo já visto antes em algum jogo da From Software), ao vencê-lo a noite é afastada e o segundo dia começa, para que o jogador possa seguir explorando e se aperfeiçoando para superar o Boss do segundo dia e finalmente avançar para o dia final onde acontece a batalha que encerra a expedição.

Esses combates são sempre contra um “Lorde da Noite”, ou seja, um superboss extremamente poderoso e bastante original, são batalhas épicas e algumas delas estão entre as mais difíceis dentre todos os games da From Software.

E é aqui que reside o principal charme de Elden Ring: Nightreign, pois essa mesma batalha pode beirar o impossível ou ser finalizada em um único ataque a depender da perfomance durante os dois dias, pois caso o jogador tenha adquirido níveis elevados, armas adequadas e resistências corretas, a vitória será bem mais provável.

E até aqui, propositalmente, eu não mencionei o fator que mais diferencia esse Elden Ring de seus co-irmãos, que é o fator “multiplayer”. Ainda que tudo que eu tenha descrito anteriormente valha da mesma forma para jogadores solo, a essência de Nightreign está no cooperativo, que torna o título muito mais divertido.

Porém é nesse fator também que reside suas maiores qualidades e seus defeitos imperdoáveis.

A estrutura de jogo foi muito bem pensada para um time de três jogadores, o mapa é grande o bastante e tem pontos de interesse suficientes para que mesmo o time mais experiente precise de estratégia e agilidade para fazer a “run perfeita” para que no final do segundo dia possa estar em plenas condições de vencer o Lorde da Noite.

A troca de informações, itens e equipamentos é algo necessário para que todos estejam aptos a colaborar da melhor maneira possível na batalha final e é realmente divertido ir de um local a outro, avançando rapidamente em busca de bosses no mapa para coletar as melhorias e imediatamente seguir para o próximo local. Com a experiência adquirida com o game, o jogador vai entender o que cada local guarda e o que cada ícone no mapa significa para montar rotas que permitam adquirir tudo que os jogadores entendem ser necessário para superar a expedição.

Porém, enquanto a proposta do jogo atende a necessidade de manter o jogador envolvido na partida, a estrutura técnica oferecida pela From Software decepciona bastante.

A começar pela falta de crossplay, que limita demais a formação de partidas, especialmente em um título que foi lançado para a geração passada de consoles (PS4 e Xbox One), para a geração atual (PS5, Xbox Series), além do PC.

Nas primeiras semanas pós-lançamento, o matchmaking do game era bem ruim e constantemente haviam enormes dificuldades em formar partidas, mesmo com o game sendo recém lançado e, supostamente, com uma população bastante elevada. Felizmente, essa questão melhorou muito e deixou de ser um problema.

E, por fim, o game também não conta com chat de voz, o que limita bastante a comunicação entre os jogadores. Para compensar, o sistema de ping do jogo funciona bem e consegue garantir que o time todo possa interagir o suficiente para sempre saber onde o outro está , mas isso não muda o fato de que um chat nativo (de voz, principalmente, ou mesmo de texto) é algo necessário em um jogo multiplayer. Deixando a cargo do jogador a decisão de usá-lo ou não.

Eu conclui todas as missões do jogo com jogadores aleatórios e sem qualquer comunicação (além do sistema de ping) e asseguro que é possível aproveitá-lo mesmo com essas limitações, porém, insisto que era algo que deveria estar presente desde o lançamento.

Em relação a trilha sonora, eu diria que ela atende a alta expectativa de um fã da From Software, com temas épicos e originais e a parte gráfica, não há nada a acrescentar nem de positivo, nem de negativo, atende ao que se propõe, mas sem nenhum grande destaque. A performance do jogo é boa, ao menos no PlayStation 5, com quedas eventuais de quadros, mas nada que comprometa a experiência. Vale mencionar que já houve diversas atualizações desde o lançamento que melhoraram a performance do jogo o que indica que a From Software parece disposta a dar suporte ao game, o que dá esperanças de que haja crossplay em um futuro próximo.

Entre essas atualizações foram adicionadas as versões Soberanas de sete dos oito bosses, trazendo um nível de dificuldade extra com as batalhas passando por mudanças consideráveis. Um outro update adicionou a opção de partidas em duplas, algo muito pedido pela Comunidade e já se sabe que outros modos de jogo estão por vir, ou seja, o jogo tem uma vida longa pela frente.

O game já tem duas DLCs programadas (que devem trazer novos bosses, mapas e personagens) e a equipe de desenvolvimento tem se mostrado atuante em atender alguns pedidos da comunidade, então, resta a esperança de que essas funcionalidades e melhorias venham para o jogo em um futuro próximo.

Elden Ring: Nightreign é um spinoff surpreendente, pois reutiliza uma franquia absolutamente consagrada e consegue inovar sem exatamente criar algo novo. Mas é um título divisivo, que vai atrair novos jogadores para a franquia e afastar veteranos, porém, mesmo merecendo muitas das críticas que recebeu, ele brilha naquilo que mais importa quando a gente fala de videogame: no fator “diversão”. E se, no fim, é isso que importa, então eu fico muito satisfeito que a From Software tenha se arriscado e feito o jogo que ninguém pediu.

Nota: 🔥🔥🔥🔥🧯

Produtor de Conteúdo
Sou um RPGista desde a infância e criador de conteúdo que vive pelo lema: quanto mais desafiador o jogo, mais divertido. Desde 2020, produzi quase mil vídeos testando minhas habilidades, e toda essa experiência me trouxe até a 'grande fogueira'

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