Echoes of The End é um jogo de ação e aventura com foco narrativo desenvolvido pelo estúdio Indie Myrkur Games e publicado pelo Deep Silver. É o jogo debutante do pequeno estúdio islandês, e desde seu trailer de anúncio foi muito elogiado graças aos belos gráficos vistos. Os jogadores logo passaram a chama-lo de God of War islandês, devido à sua semelhança visual com a aventura nórdica de Kratos combinado com a Terra Natal do Estúdio, a Islândia.
Nele, assumimos o papel de Ryn, uma guerreira vestigial que domina uma Magia Ancestral poderosa e perigosa, e por isso é temida pelas pessoas ao seu redor. A jornada se passa em Aema, um mundo fantástico que outrora fora unificado e que agora, depois de um evento conhecido como A Derrocada, se tornou uma terra de conflitos constantes entre as nações. O jogo começa durante uma patrulha, onde Ryn e seu irmão são emboscados pelo exército invasor da nação vizinha de Reigendal. Todo o desenrolar dessa introdução nos coloca numa aventura de resgate, redenção e auto conhecimento ao lado de Abraham Finlay, um erudito explorador e um valoroso aliado.
A campanha é simples e linear, dividida em 10 capítulos e dura um pouco mais de 15 horas na dificuldade padrão. É algo diferente do que vimos atualmente, onde temos jogos cada vez mais inflados e com mil coisas pra fazer pra que seus preços sejam justificados. Embora seja uma experiência rápida, o jogo tem seus pontos fortes, mas infelizmente contrasta com alguns problemas que provavelmente foram frutos do seu investimento modesto.

Todos os elogios à beleza do jogo são merecidos. Os diferentes cenários e biomas que exploramos são inspirados nas paisagens selvagens da Islândia e dão vida ao belo mundo criado pelo estúdio. Ele é visualmente incrível, mas é nítida a falta polimento e as falhas gráficas em pontos específicos, principalmente em cachoeiras, fumaças e fogueiras, que acabaram me tirando um pouco da imersão e de toda a beleza ao meu redor. Eu fiquei com a impressão de que eles focaram mais no macro e não deram tanta atenção aos detalhes.
Sobre os personagens, eu gostei tanto da modelagem quanto da expressão facial. A Ryn é uma heroína interessante e nosso aliado, Abraham é um erudito ávido por conhecimento , mas quem eu mais gostei foi a antagonista Zara, uma vestigial e guerreira de Reigendal. Suas feições e seus trejeitos combinaram perfeitamente com a dublagem e facilmente se tornou a minha personagem favorita.
Quanto ao som, a dublagem é boa, mas infelizmente o jogo apresenta algumas falhas sonoras durante os diálogos quando os personagens estão longe um do outro. Parece que eles tentaram equalizar a distância das vozes justamente pra dar essa ideia de distância, como vemos em alguns jogos que seguem essa dinâmica de 2 protagonistas. Mas eles não conseguiram e o som simplesmente sumia ou ficava muito baixo. Já as músicas tentam dar um tom épico à aventura, e em alguns momentos até conseguem, mas são músicas pouco expressivas que provavelmente não vão nos fazer associá-las com o respectivo jogo. Faltou a famosa identidade.




Após sua apresentação repentina, Echoes of The End foi logo comparado com a saga nórdica de God of War, talvez pelo tom e pela estética. Mas, depois que joguei, percebi que o game não se parece em nada com as aventuras de Kratos, a não ser pelo seu aliadoque tem basicamente o mesmo papel de Atreus.
A exploração trouxe de volta memórias da época do PS2. Eu achei as mecânicas de Travessia e os puzzles bem criativos e diversos, e resolvê-los me fez lembrar da trilogia de Prince of Persia. O problema, é que diferente dos clássicos jogos da Ubisoft, em Echoes of The End a movimentação da Ryn causa um pouco de estranheza. Parece que o jogo não tem física e que não conseguimos sentir o impacto da personagem interagindo com o cenário. A animação de correr, escalar e se agarrar em cordas é um pouco esquisita.
No combate, a questão da física melhora bastante, mas esbarrei em outros problemas. Ele é um pouco travado, mais cadenciado e até meio duro. As ideias são boas, mas a execução nem tanto. Eu comecei jogando no modo difícil como eu geralmente faço em jogos que me dão essa opção, mas eu não achei a dificuldade balanceada e tive muitos problemas, mesmo depois de me acostumar. Lutar contra um grupo de inimigos sempre terminava mal e eu ficava preso sem poder avançar. A câmera fica muito mal posicionada durante a ação, e travar a mira nos inimigos pode ser ainda pior. Esquivar com a mira travada fazia com que meus movimentos não saíssem como o planejado, e eu acabava morrendo muitas vezes por conta disso. E depois de algumas horas de frustração, eu decidi trocar pra dificuldade equilibrada pra que eu pudesse avançar na história sem desanimar e abandonar o jogo. A experiência até que melhorou um pouco, mas longe de ser a ideal. Espero que o estúdio continue trabalhando e ouvindo o feedback dos jogadores e que possam polir e refinar o combate pra deixá-lo melhor em updates futuros.




Em um ano onde vimos muitas surpresas fruto de estúdios independentes, confesso que esperava mais de Echoes of the End. Eu listei alguns problemas pontuais, mas considerando que é um Game AA e com um investimento modesto, a Myrkur Games entregou um trabalho OK para um primeiro jogo do estúdio. Sua linearidade, sua campanha enxuta focada na narrativa e seus puzzles criativos conseguiram me manter jogando apesar do combate ter deixado a desejar. Echoes of The End tem potencial pra ser uma boa franquia e trazer mais jogos que possam explorar a Lore rica e o mundo fantástico que foi criado. Eles tinham que começar de algum lugar, e nesse caso, antes feito do que perfeito. Parece que mesmo ciente dos problemas e das limitações técnicas e financeiras, o pequeno estúdio islandês acreditou no projeto e fez o melhor que pôde pra dar vida ao jogo e contar a história que eles queriam mostrar ao mundo.
Nota: 🔥🔥🧯🧯🧯