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Stellar Blade é tudo isso mesmo? Minha análise após 2 anos

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Uma review honesta de um dos action games mais comentados da geração.

Joguei Stellar Blade dois anos após o lançamento e agora ficou fácil entender por que ele chamou tanta atenção desde o primeiro dia. A Shift Up estreou no mercado AAA com um jogo que não tem vergonha das próprias inspirações, mas que, mesmo assim, constrói uma identidade própria graças a um combate extremamente sólido, uma direção de arte redondinha e uma trilha sonora foda que mistura músicas coreanas com ocidentais.

Ao mesmo tempo, é um jogo que deixa claro onde o estúdio ainda precisa evoluir. Problemas de exploração, algumas decisões de design discutíveis (coff coff, parede invisível) e a forma como a narrativa é contada impedem que ele chegue a um nível ainda maior.

A minha sensação jogando era a de estar diante de uma excelente primeira tentativa, um jogo que acerta muito mais do que erra e que, justamente por isso, deixa uma expectativa enorme para o futuro da franquia.

Mas vamos por partes.

Combate

O combate é a grande estrela do Stellar Blade. A Shift Up criou um sistema que mistura hack and slash com uma cadência mais estratégica, exigindo leitura dos inimigos, parries bem executados e esquivas precisas. As lutas contra os chefes são excelentes e, pra mim, representam o auge da experiência. Vários deles passam aquela sensação de evolução, de aprendizado, de que você venceu porque melhorou como jogador e não só porque aumentou atributo.

Outro mérito é a variedade de habilidades, combos e opções de personalização. Conforme você desbloqueia novas técnicas, o combate continua evoluindo e raramente fica repetitivo. Os chefes também têm padrões bem distintos, obrigando o jogador a aprender cada luta em vez de depender de força bruta.

Chefes

Os chefes estão entre os melhores aspectos do jogo. Além do visual impressionante, cada um tem identidade própria e exige uma abordagem diferente. Poucas lutas parecem repetidas.

Gostei também do equilíbrio da dificuldade. Na maior parte do tempo, quando você morre, fica claro que foi erro próprio, não injustiça do jogo como eu sinto com os combates dos jogos da FromSoftware.

Minha única crítica é que algumas arenas limitam demais a movimentação. As paredes invisíveis pegam justamente nos momentos em que você precisa se reposicionar, o que tira um pouco do brilho de algumas batalhas.

História

Ao contrário de muita gente, eu considero a história um dos pontos fortes do jogo.

A premissa é muito boa e o plot twist de que os Naytibas, na verdade, são os humanos, muda completamente como você interpreta aquele universo. É uma revelação que encaixa várias peças da narrativa e muda a percepção sobre o conflito.

O problema nunca foi a ideia, foi a execução. Faltou construir melhor esse mistério ao longo da campanha, dar mais informação, desenvolver melhor os personagens envolvidos e dar tempo pro jogador absorver as revelações. Em alguns momentos parece que a história tem pressa de contar algo importante e sacrifica parte do impacto emocional.

Também senti falta de mais desenvolvimento pra alguns personagens secundários, que acabam com pouco tempo de tela apesar de importantes pra trama. Com uma narrativa melhor distribuída, podia ter sido um dos grandes plot twists dos jogos recentes.

Exploração e Level Design

Esse foi, fácil, o aspecto que mais me incomodou.

As paredes invisíveis aparecem o tempo inteiro. Não só na exploração, mas principalmente nas batalhas. Várias vezes você tenta reposicionar a personagem, desviar de um ataque ou ganhar distância, e esbarra numa parede que nem deveria estar ali. Isso quebra o fluxo do combate.

A movimentação fora das lutas também é bem menos refinada que o resto do jogo. Tem hora que a Eve prende em objeto pequeno, sobe onde você não queria, deixa de agarrar plataforma que claramente parecia acessível, ou responde de um jeito inconsistente.

Alguns mapas também acabam mais confusos do que interessantes. A navegação nem sempre é intuitiva, e algumas áreas poderiam aproveitar melhor o design vertical.

É de longe o que eu mais queria ver evoluir na sequência.

Mundo e Missões Secundárias

Gostei bastante do universo criado pela Shift Up. Tem muito potencial na ambientação, na mitologia e nos documentos espalhados pelo cenário, então pra quem gosta de ler é um prato cheio.

Por outro lado, algumas side quests existem só pra estender a duração da campanha. Tem missões interessantes que expandem o mundo, mas boa parte é repetitiva e segue estruturas muito parecidas.

Visual e Direção de Arte

Visualmente, Stellar Blade impressiona bastante.

Os cenários têm personalidade, a direção de arte é consistente e os Naytibas têm um design bem criativo. A variedade de ambientes também ajuda a campanha a não ficar cansativa visualmente.

As animações da Eve no combate são excelentes e ajudam muito na sensação de impacto de cada golpe. Mesmo sendo o primeiro AAA da Shift Up, o nível de polimento visual chama atenção.

Trilha Sonora

A trilha sonora é excelente.

Acompanha perfeitamente cada momento da aventura, alternando músicas mais melancólicas, eletrônicas e épicas sem perder a identidade. Várias faixas ficam na memória mesmo depois de terminar o jogo, essa semana me peguei dirigindo com uma música do game na cabeça.

Direção Geral

O que mais me impressiona em Stellar Blade é o quanto ele tem confiança na própria identidade.

Em vez de copiar outros jogos do gênero, a Shift Up pegou referências de títulos como NieR: Automata, Sekiro e Bayonetta e criou um combate com personalidade própria.

Ao mesmo tempo, alguns aspectos mostram claramente que esse foi o primeiro grande AAA do estúdio. O level design, a exploração, a movimentação fora do combate e parte da narrativa ainda mostram certa falta de experiência.

O veredito

Mesmo com essas críticas, o saldo é extremamente positivo. O combate é viciante, a progressão da Eve funciona muito bem durante quase toda a campanha, os chefes são memoráveis, a direção de arte é fantástica, a trilha sonora é uma das melhores dos últimos anos, e a história tem uma premissa excelente com um plot twist realmente marcante dependendo do final que você escolher.

Eu classificaria Stellar Blade como um jogo que acerta justamente no que mais importa num action game: é divertido de jogar.

Os defeitos existem, principalmente na exploração, nas paredes invisíveis, na movimentação fora do combate, em parte da execução da narrativa e em algumas decisões de design da reta final, mas nunca foram suficientes pra apagar os maiores acertos. Pelo contrário. A sensação que fica é de que a Shift Up já construiu uma base excelente. Se conseguir manter o combate praticamente intacto, lapidar a narrativa, melhorar a exploração, eliminar boa parte das paredes invisíveis e preservar a sensação de evolução até o último minuto da campanha, a sequência tem potencial pra se tornar um dos grandes action games da geração.

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Idealizador e Produtor de Conteúdo
Olá, eu sou o Johann, mas pode me chamar de Heroutz. Sou um criador de histórias apaixonado por games, especialmente Pokémon, Zelda e RPGs de turno. Essa paixão pelos games é uma herança de família, que recebi do meu pai e hoje compartilho com a minha filha. Acredito que os jogos contam as melhores histórias da nossa geração e, quando não estou pensando em alguma teoria, provavelmente estou em Destiny 2, questionando as decisões da Bungie.

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